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Paulo Tupinambá - O empresário que veio do mar

Conheça o oceanógrafo Paulo Mancuso Tupinambá, o homem que convenceu o Bradesco a investir R$ 100 milhões numa empresa de serviços ambientais.

Paulo Mancuso Tupinambá, 54 anos, cresceu ouvindo o tio-avô Homero Mancuso contar os detalhes de sua participação nos campeonatos de natação no rio Tietê – que corta a cidade e o Estado de São Paulo.

Histórias que sempre lhe pareceram obra da fértil imaginação do parente, já que o Tietê desponta como um dos mais poluídos cursos de água do planeta. Esses relatos, porém, acabaram, de alguma forma, influenciando na escolha profissional de Paulo Tupinambá, que decidiu estudar oceanografia física na Universidade de São Paulo (USP). Ao retornar ao Brasil após um curso de especialização nos Estados Unidos, ele se viu diante de um dilema: seguir como pesquisador no Instituto Oceanográfico da USP ou se aventurar no setor privado. Tupinambá escolheu a segunda opção e hoje comanda o Grupo Synthesis, um conglomerado cuja receita anual soma R$ 540 milhões. Sua face mais vistosa é a Haztec Soluções Integradas em Sustentabilidade, uma das maiores potências do Brasil em serviços ambientais. Trata-se de uma companhia cujo faturamento avança na faixa de 50% ao ano, desde 2003, e que deve fechar 2009 com R$ 450 milhões. “Optei por uma área emergente, praticamente imune às crises e constituída de companhias de pequeno e médio portes, prontas para serem consolidadas”, disse o empresário à DINHEIRO.

O acelerado crescimento da Haztec se deve a uma agressiva política de aquisições: sete empresas em apenas três anos. Um portfólio que inclui desde consultoria, fabricação de equipamentos, gestão de resíduos líquidos e sólidos até a implantação e gestão de aterro sanitário.

“A legislação ambiental se tornou bastante restritiva e isso está fazendo com que os grandes grupos industriais terceirizem esses departamentos para gestores especializados como a Haztec”, completa. portfólio de clientes da empresa inclui o Grupo Vicunha, a Vale e a Basf. Até o final de julho, Tupinambá espera fechar um contrato, no valor de R$ 250 milhões, com uma grande siderúrgica, cujo nome ele mantém em segredo. A transformação do segmento ambiental em uma área relevante do ponto de vista econômico é considerado um caminho sem volta.

Foi assim na Europa e nos Estados Unidos, a partir da década de 1980, e no Brasil esse movimento tende a ser cada vez mais intenso. “Como a verba para obras de saneamento é restrita, é natural que a prioridade do governo seja o atendimento das demandas das populações urbanas, fazendo com que as indústrias banquem seus passivos ambientais e garantam seu próprio suprimento de água, por exemplo”, argumenta Raul Pinho, diretor executivo da ONG Trata Brasil.

A ascensão de Tupinambá no mundo empresarial se deve, em parte, à sua capacidade de angariar apoios nos meios financeiros. Uma amostra disso aconteceu em novembro do ano passado, em plena crise econômica global, quando o braço de investimentos do Bradesco, o BBI, injetou R$ 100 milhões na Haztec.

“Foi um negócio vantajoso para nossos acionistas”, avalia Denise Pavarina, diretora do Fundo de Investimento em Participações (FIP), controlado pelo BBI. O banco já havia sido procurado por Tupinambá em 2007. “Só não fechamos porque a Haztec tinha um porte muito pequeno”, conta Denise. Na época, o faturamento da Haztec mal chegava a R$ 10 milhões por ano. No ano passado, quando os gestores do BBI souberam que o fundo Advent estava assediando a Haztec, eles decidiram retomar as negociações. Até a liberação dos recursos se passaram somente quatro meses. Tempo recorde para esse tipo de transação, que normalmente leva um ano para ser concluída. Afável no trato pessoal, Tupinambá se revela um negociador duro sempre que precisa impor seu ponto de vista.

Apesar de sua formação acadêmica se restringir à área oceanográfica, ele fala a língua do mercado. “Ele demonstra segurança, pois sabe exatamente o que quer e onde pretende chegar”, destaca Geoffrey Clevear, superintendente- executivo de private equity do Grupo Santander Brasil e gestor do fundo InfraBrasil, o outro sócio capitalista da Haztec.

R$ 540 MILHÕES É A RECEITA TOTAL DO GRUPO CONTROLADO POR PAULO TUPINAMBÁ, QUE, ENTRE SEUS SÓCIOS, TEM FUNDOS DE INVESTIMENTO GERIDOS PELO BRADESCO E PELO SANTANDER

A habilidade de Tupinambá de transformar empresas embrionárias em potências chamou a atenção do ABN-Amro Bank, hoje Grupo Santander Real. Em 2007, o banco, por meio de seu fundo de private equity em infraestrutura, fez um aporte de R$ 56 milhões na companhia. Além da possibilidade de ganhos em um segmento com expectativa de forte crescimento, o que despertou a atenção do banco foi a postura de Tupinambá. Fanático por softwares de gestão, ele implanta processos de controle e de auditagem em todos os negócios que assume. Com isso, facilita o trabalho de verificação de contas na hora de convencer potenciais parceiros.

“A Haztec era diminuta, mas tinha as contas e o método de trabalho organizados como se fosse uma companhia de grande porte”, elogia o superintendente- executivo do Santander Brasil.

O caminho de Tupinambá rumo ao setor de serviços ambientais começou a ser pavimentado em 1983, quando ele deixou o confortável posto de gerente de projetos na Subaquática Engenharia para seguir carreira solo. Na época, a Petrobras estava começando as pesquisas em águas profundas e o dono da Synthesis vislumbrou uma chance de produzir equipamentos que até então eram importados. Juntou os recursos obtidos com o fundo de garantia, vendeu o carro e com os cerca de US$ 50 mil amealhados montou a Consub. “Tinha dinheiro suficiente para pagar o aluguel e arcar com a folha salarial por apenas seis meses”, recorda. A rede de contatos, construída na academia e no setor privado, fizeram a diferença.

Até de Baixo D'Água: fabricados pela Consub, a primeira empresa de Tupinambá, os submarinos Tatuí, para pesquisas e prospecção, e o Argos, utilizado em viagens de lazer, foram pioneiros em suas áreas de atuação no Brasil

Apesar da escassez de capital, ele conseguiu tocar projetos relevantes. Fabricou o primeiro submarino-robô do País, o Tatuí, usado pela Petrobras para avaliações em áreas de prospecção a mil metros de profundidade. Também foi pioneiro com o Argos – um submarino de lazer feito sob encomenda para o Hotel Portogalo, de Angra dos Reis (RJ). Outro destaque da Consub foi a criação do software de controle do sistema de defesa das fragatas classe Niterói, da Marinha do Brasil.

Em 2001, quando a Consub faturava US$ 240 milhões e empregava 200 pessoas, ele resolveu sair de cena. Vendeu o negócio para o grupo norueguês DSND por R$ 50 milhões. “Precisava de um sócio capitalista para continuar crescendo.

Mas, como o mercado de crédito estava parado, a solução foi vender a empresa”, conta. Tupinambá, então, decidiu assumir, ele próprio, a função de financiador de companhias emergentes. Foi aí que nasceu a Synthesis Empreendimentos. A primeira aquisição foi a Sênior Táxi Aéreo. O empresário ficou no negócio até 2006, quando o repassou à OceanAir. O valor ele não revela.

Diz apenas que o grande ativo da empresa era o contrato de transporte de pessoal da Petrobras no valor de US$ 100 milhões. Outra tacada bem-sucedida foi a OceansatPEG, de serviços submarinos, vendida recentemente à holandesa Fugro NV.

Assim como foi um dos pioneiros na fabricação de equipamentos offshore, o dono da Synthesis voltou os olhos para a área ambiental no momento propício. Uma de suas controladas, a Novagerar, assinou o primeiro contrato de venda de crédito de carbono feito por um aterro sanitário do Brasil.

O acordo vai render cerca de US$20 milhões até 2012. De seu escritório, no 12º andar de um prédio na avenida Atlântica, no bairro de Copacabana (zona sul do Rio), onde possui uma visão privilegiada da Baía de Guanabara, Paulo Tupinambá traça planos ainda mais ambiciosos. Sua meta, agora, é produzir energia elétrica a partir da queima de resíduos industriais. Para isso firmou parceria com a belga WaterLeau, encarregada de fornecer a tecnologia. “uso de aterros como depósito de lixo não se sustenta por muito tempo. Foi assim na Europa e o mesmo irá acontecer por aqui”, aposta. Enquanto isso, ele trata de rentabilizar ao máximo seus ativos nesta área.

Os aterros controlados pela Synthesis no Rio de Janeiro têm potencial de geração de gás metano equivalente a todo o consumo da cidade. Essa reserva já chamou a atenção da Companhia Estadual de Gás (CEG), estatal fluminense do setor, e de empresas privadas que negociam o uso deste insumo em seu processo produtivo.

Fonte: Revista Istoé Dinheiro
Por: Rosenildo Gomes Ferreira

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